Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum

Ser profeta é enfrentar a rejeição

As comunidades celebram a fé naquele que se encarnou no seio de Maria, se fez homem, sofreu, foi morto, sepultado e ressuscitou. Na celebração da Eucaristia recebemos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria, uma pessoa como as demais do seu tempo, na aldeia de Nazaré. Em outras palavras, recebemos aquele que encarnou plenamente a realidade humana.

Estabelecer comunhão com ele é encarnar-se também e correr todos os riscos: indiferença e rejeição (I leitura e evangelho), injúrias, perseguições e angústias por amor de Cristo (II leitura).

Se não nos escandalizamos com Jesus feito pão, por que haveríamos de nos escandalizar quando pessoas ou comunidades tentam encarnar a realidade do povo que sofre?

Ezequiel 2,2-5 : Ser rejeitado, a sorte do profeta – Ezequiel é chamado “filho do homem”, o que significa sua pertença à frágil raça humana (não confundir com o “Filho do Homem”, a figura celestial de Dn 7, 13 etc., identificada com Jesus como Juiz escatológico). Ele nada mais é do que um homem, um servo, e nesta humilde condição incumbe-lhe a ingrata missão de explicar ao “resto de Israel”( o povo desmembrado depois da parcial deportação em 597 aC) sua atuação aos olhos de Deus. Não gostarão do recado: rejeitar os profetas é costume deles, desde Moisés. (Ex 2,14; 15,24; 16,2 etc.) até o próprio Cristo (Mt 23,33-35). Mas, pelo menos, saberão que está um profeta no meio deles, isto é, que Deus não fica calado (2,3) . Dn 9,7-24.

2Coríntios 12, 7-10 – O espinho na carne: “Minha graça te bastará”- Em 2 Cor 10, 1-13,8. Paulo se defende apaixonadamente contra os que destroem seu trabalho, provavelmente cristãos “judaizantes “(11,22-23a). Gloria-se de tudo aquilo que Cristo lhe proporcionou, tanto do sofrimento (11,23b-33) quanto do êxtase (12,1-5). Mas não se glória de si mesmo, a não ser quanto à sua fraqueza. Para não se vangloriar, Deus lhe deu um espinho na carne” (não diz o que, mas atribui-o ao demônio), para que apareça claramente que a força humana; por outro lado, a fraqueza humana não é um empecilho para Deus realizar a obra de sua graça. 2 Cor 4,7; Is 40, 28-29.

Marcos 6,1-6 “Um profeta não é desprezado, senão em sua própria terra”– A sequência de milagres Mc 4,35-6,6 termina com a constatação de que Jesus não pôde fazer milagres em sua própria terra e apenas admirar-se da incredulidade de sua gente( 6,5-6). Embora surja neles um maravilhamento semelhante ao dos discípulos em 4,41, eles já têm sua resposta pronta (6,2-3). Não admitem que Jesus lhes dê lições, pois o consideram como sendo igual a eles, cegos como são diante dos sinais que ele opera. Mt 13,53-58; Lc 4,16-30

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