Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum

Ricos e pobres, opressores e oprimidos, todos se encontram juntos para celebrar a eucaristia, o dom por excelência que Deus concede a todos, indistintamente. Por que a eucaristia não consegue superar o escândalo que são os pobres cada vez mais empobrecidos à custa de ricos cada vez mais ricos? (No Brasil há, atualmente, mais de 33 milhões de pessoas abaixo da “pobreza absoluta”). Os bens da criação foram feitos para todos, e partilhá-los é o grande “milagre” que constrói o mundo novo ( I leitura e evangelho). A mesma fé no Senhor, o mesmo batismo, um só Pai de todos, um só Espírito, reinem os cristãos na celebração comum da fé. Não é também escandaloso que os cristãos mutilem o corpo de Cristo, vivendo separados, sem união e sem paz? Como trabalhar para unidade cristãos? (II leitura).

Investir no Reino de Deus

1Reis 3,5.7-12 : Salomão não pede riqueza, mas sabedoria – Quando de sua romaria a Gabaão, no começo de seu reinado, Salomão pede a Deus a sabedoria, isto é, o dom da acertar na hora de julgar e de decidir (na Bíblia segue imediatamente uma história para exemplificar este dom). O próprio fato de não pedir outra coisa já mostra sua sabedoria. Assim mesmo, Deus lhe deu, além da sabedoria, algumas coisas menos importantes de brinde (riqueza, fama, longa vida)

Mateus 13,44-52: O tesouro do Reino de Deus – Hoje temos no Evangelho: a) as últimas parábolas e a conclusão do Sermão das Parábolas de Mt 13: as parábolas do tesouro e da pérola, que ensinam o pleno investimento no Reino; a parábola da rede, que ilustra a situação “mista”da Igreja até o fim dos tempos (mistura de fiéis convencidos e mornos, já na Igreja de Mt); b) a pergunta pela compreensão, dirigida aos discípulos que somos nós. Esta “compreensão” é uma questão do coração: receber em si todas estas palavras. Elas são tiradas de um tesouro imenso, que contém coisas (o novo do ensinamento de Cristo), mas também  velhas ( a releitura cristã das antigas escrituras e tradições judaicas na igreja judeu-cristã de Mt). O mestre é o “rabino do Reino de Deus”(13,52).

Romanos 8,28-30: O planejamento de Deus e sua execução – Esta breve leitura é construída em redor da corrente de conceitos: conhecer – destinar –chamar – justificar – glorificar: as frases da arrematação do homem por Deus. É uma obra de artista. O Protótipo é Jesus Cristo mesmo: o primogênito dos mortos. O Espírito já nos tornou filhos (8,16). Agora é só levar a termo a obra de arte já empenhada (8,30). E o distintivo do cristão é que ele tem consciência de ser esta obra. ( “sabemos”, 8,28)

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