Quarto domingo da Páscoa

Jesus: única verdadeira liderança

Quem jamais exerceu algum tipo de liderança? Todos , quem mais, quem menos , têm responsabilidade e detêm autoridade. Alguns, contudo, enganam e seduzem, trazendo desilusão e miséria, porque sua liderança é chamada por Jesus de roubo, assalto, morte. Jesus apresenta-se como única verdadeira liderança capaz de liderar a todos para que tenham vida em plenitude. Com ele devem sintonizar-se todas as lideranças que desejem transformar a sociedade, para que a humanidade deixe de ser rebanho tangido e manipulado ao sabor dos interesses dos inescrupulosos e gananciosos “senhores”. Aceitar a liderança de Jesus e conformar-se à sua práxis libertadora ( “eu vim para que todos tenham vida”) é a maior prova de conversão a Deus e de compromisso com seu projeto.

Atos 2,14. 36-41 “Deus tornou Senhor e Cristo esse Jesus que vocês crucificaram” . Pedro apresenta o anúncio fundamental da Igreja. Mantendo a memória do testemunho de Jesus, a Igreja relê o Antigo Testamento e percebe o mistério central da vida, morte e ressurreição de Jesus: Jesus de Nazaré realizou entre os homens a ação de Deus voltada para a justiça e a vida, e foi morto pela estrutura injusta de uma sociedade que gera a morte. Deus, porém, condena essa estrutura, pois ressuscita Jesus e o torna Senhor do universo e da história. Recebendo o Espírito que dirigiu toda a missão de Jesus, a Igreja se torna testemunha da sua ressurreição. O anúncio é ao mesmo tempo a denúncia e o julgamento de toda estrutura injusta, sempre causadora de morte.

1 Pedro 2,20-25 – Só Jesus é Senhor .  O ponto importante é que os cristãos devem sempre fazer o bem (v. 20), em qualquer condição, mesmo que para isso tenham de suportar sofrimentos. Quando nem se pensava em abolição da escravatura, esta exortação mostra que Deus não quer a escravidão. De fato, Pedro considera os sofrimentos como injustos (v. 19). Se na época era impensável deixar de ser escravo, torna-se claro que essa submissão é feita por temor a Deus a exemplo de Jesus Cristo e não como submissão servil aos patrões (no v. 18 «com todo temor» se refere a Deus). A resistência cristã numa situação sem saída consiste em fazer o bem. Se aqui não há nenhuma referência ao comportamento dos patrões é porque estes, provavelmente, não fazem parte dos destinatários da carta. Já vimos (cf. Introdução) que se trata de gente fora da pátria e em situação de oprimidos.

João 10,1-10 – Jesus é o único líder que dá vida em plenitude. : Nesta comparação, o curral representa a instituição que explora e domina o povo. Os ladrões e assaltantes são os dirigentes. Jesus mostra que sua mensagem é incompatível com qualquer instituição opressora e que sua missão é conduzir para fora da influência dela os que nele acreditam, a fim de formar uma comunidade que possa ter vida plena e liberdade. O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta.

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