Quarto Domingo do Advento

A promessa de Deus e o Sim do Homem

Com o quarto domingo, o Advento chega ao auge. O Evangelho traz o pleno cumprimento de todos os sinais que anunciam a vinda do Salvador. A promessa feita a Davi, de que sua descendência teria seu trono firmado para sempre, realiza-se no filho de Maria, juridicamente inserida, através de seu noivo José ( noivo tinha força jurídica), na descendência de Davi. A este filho, Deus dar-lhe-á – embora não do modo que se esperava – o trono de Davi, o governo da casa de Jacó (Israel) para sempre. Já  aprendemos, por estas últimas palavras, que as profecias se cumprem de um modo que a inteligência humana desconhece. O modo como Jesus é o Cristo, que reinará para sempre, e o modo como a casa de Israel se tornará um povo universal, nenhum contemporâneo de Maria o podia imaginar e mesmo Maria só o vislumbrava como Mistério de Deus. Os profetas não são programas a serem executados. São sinais da obra inesperada que Deus está fazendo, sinais que a gente só entende plenamente depois da obra realizada.

Segundo Samuel 7, 1-12.14-16: O Filho de Davi – O Deus que tirou Israel do Egito e fez com ele uma Aliança (Ex 20,2; 24,3-6), também estabeleceu Davi como rei, como “Servo”predileto(2Sm 7,5). Quando Davi quer construir uma “casa”(tempo) para Javé, este manda Natã dizer que nunca precisou de casa alguma, mas acompanhou Israel numa tenda (7,6b), em todas as circunstâncias (7,6). Por isso, Deus construirá uma “casa”(dinastia) para Davi, firme para sempre. Esta promessa é plenamente realizada em Jesus, filho de Maria, na linhagem de Davi.

Lucas 1,26-38: Anunciação do Anjo a Maria – A festa da Imaculada Conceição de Maria – Realização da promessa feita a Davi , a Acaz, mediante a graça de Deus (Lc 1,28.30) e a disponibilidade de Maria. Não é o processo da geração humana, que realiza esta promessa. Maria não conhece homem (1,34). É obra de Deus (1,35), e o sinal para assinalar a presença do “sopro”de Deus à humanidade.

Romanos 16, 25-27: O Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo e a fé universal – No hino final de Romano, aparece o poder salvifico de Deus, que confirma a comunidade nascida do Evangelho. O sentido daquilo que, como um germe, estava escondido nas antigas Escrituras, fica agora patente, e isso, para todas as nações. Porém, esta manifestação não se impõe pela força, mas exige a fé em Jesus Cristo e sua obra . Ef 3,20-21.

Reflexão

Os textos do último domingo do advento podem ser sintetizados numa única frase: “Deus se encarnou em nossa história”, realizando as esperanças e superando as expectativas, pois veio nascer no meio dos pobres, dos quais Maria é modelo e fonte de inspiração para o agir que constrói sociedade e história novas. Deus não escolheu palácios para nascer, nem aceitou ser aprisionado em templos: encarnou-se numa pessoa e na vida das pessoas, e continuará a fazê-lo mediante os que crêem e se põem a serviço do Reino. Os que lêem a história com olhos da fé, à semelhança de Maria e Paulo, percebem que Jesus é a revelação de todo o projeto do Pai, lugar em que Deus deu a conhecer seu plano de salvação para todas as nações.

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