Segundo Domingo Páscoa – Divina Misericórdia

O Ressuscitado: Vida da Comunidade Cristã

Jesus Ressuscitado está presente na comunidade, dando início à nova criação. Os cristãos sentem sua presença na ação do Espírito que os move à implantação do projeto de Deus na história. A comunidade é chamada a ter fé madura que não exige sinais extraordinários para perceber Jesus presente nela ( evangelho). Basta que faça contínua memória dos gestos e palavras de Jesus, partilhe os bens e a vida para perceber que Deus está presente nela, operando de novo prodígios e sinais.

Celebramos a eucaristia, gesto supremo de amor daquele que o Pai ressuscitou dentre os mortos, herança que jamais perde seu valor. Nós não o vemos, mas nele acreditamos e a ele nos entregamos para construir o mundo novo.

Atos 2,42-47 : Os primórdios da Igreja: tinham tudo em comum  – este texto descreve a vida da comunidade apostólica em Jerusalém. A leitura de hoje se completa em At 4,32-35. A comunidade consiste em ter tudo em comum alegria e magnanimidade do grupo eram contagiosas; aí está o mistério do sucesso missionário.

João 20,19-31 : Felizes os que crêem sem terem visto – A Páscoa da ressurreição é uma nova criação. O espírito de Deus é dado pelo ressuscitado para renovar os homens, purificando-os do pecado, mediante a comunidade dos fiéis, que recebe esta missão.  A primeira geração teve o privilégio de ser apalpar o ressuscitado, que inaugurou esta nova realidade; as gerações seguintes deverão crer por seu testemunho.

É PRECISO TER FÉ: O apóstolo Tomé tornou-se símbolo da comunidade que questiona a Ressurreição de Jesus e exige prova para poder aceitá-la. Ele não aceitou o testemunho da comunidade, para quem Jesus havia aparecido e comunicado o dom do seu Espírito. O apóstolo condicionava sua fé à visão das chagas nas mãos de Jesus e ao tocar na ferida produzida pela lança. Este materialismo crasso o impedia de aderir ao Senhor pela fé.

Jesus proclamou ser feliz quem fosse capaz de chegar ao ato de fé, sem mesmo tê-lo visto. Ou seja, crer pelo testemunho da comunidade. Se a fé em Jesus dependesse de tê-lo visto, na terra, só um grupo privilegiado de discípulos num determinado contexto histórico e geográfico, teria acesso à fé. Uma vez que isto não é necessário, qualquer pessoa, em qualquer tempo ou lugar, pode chegar à fé, tal como a comunidade primitiva. Por conseguinte, a fé no Ressuscitado dá-se pelo testemunho da comunidade e se propaga pela tradição, que vai abarcando o mundo inteiro.

O Ressuscitado já não está limitado a um tempo ou a um lugar específico. Ele pode sempre ser encontrado e acolhido, por quem nele deposita sua fé. Certas exigências inconvenientes, como a de Tomé, podem inviabilizar o processo da fé e impedir um encontro libertador com o Senhor.

1 Pedro 1,3-9    : Purificados como ouro na fornalha – é uma carta de consolação aos cristãos oriundos do paganismo ( na Ásia Menor), ameaçados pela perseguição. A introdução tem o estilo de um hino. As graças recebidas são penhor dos dons definidos ( esperança). No batismo somos adotados como filhos: isto também é fundamento de uma esperança ainda maior. Esta esperança é viva, porque é baseada no Cristo ressuscitado. Produz alegria e firmeza.  Nos domingos seguintes continuaremos a leitura desta carta.

Podemos, portanto, resumir o “espírito”deste domingo no seguinte tema: a fé da comunidade apostólica é nossa. Através da comunidade apostólica (evocada na primeira leitura), nós somos tornados partícipes da fé, antecipação da comunhão eterna com Cristo e nossa salvação. E, voltando ainda uma vez o olhar para Tomé, o dito incrédulo”, não esqueçamos que ele é o representante da geração privilegiada, que passou sua fé aos que não viram. Neste sentido, ele é, antes, modelo do fiel, e oxalá possamos exclamar com ele: “Meu Senhor e meu Deus”.

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