Sexta- Feira Santa

Jesus: Servo, Rei , Sacerdote
A Palavra de Deus nos apresenta a síntese da vida e ação de Jesus: ele é o Servo que carrega os pecados da humanidade (I leitura), o Rei Universal que dá a vida (relato da Paixão) e o único Sacerdote e Mediador entre Deus e a humanidade (II leitura).
Isaias 52,13-53,12 – O Servo Sofredor: A redenção pelo sofrimento.  É o quarto «cântico do Servo de Javé» (cf. notas em 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-9). Descreve-se, agora, a paixão do Servo: ele é justo e inocente, mas sofre as conseqüências de uma estrutura injusta da sociedade onde vive, e por isso morre esmagado sob o peso dos erros de todos. Contudo, é através do seu aparente fracasso que o projeto de Deus vai triunfar: o Servo é glorificado e traz a salvação para todos. Ao narrar a paixão de Jesus, os Evangelhos praticamente retomam este quarto cântico em todos os detalhes: na sua vida e morte, Jesus se identificou completamente com o povo pobre que, em todos os tempos e lugares, é vítima da injustiça e exploração, da opressão e esquecimento.
Paixão de Jesus Cristo segundo João 18,1-19,42 – Jesus, único verdadeiro Rei. O jardim recorda o paraíso do Gênesis, de onde o homem tinha sido expulso. Jesus entra no jardim para enfrentar e derrotar a serpente, símbolo do mal que oprime e mata os homens. Ninguém tem poder para prender Jesus ou defendê-lo. Ele é preso porque entrega livremente a própria vida, cumprindo até o fim a missão que o Pai lhe confiou.
O testemunho dado por Jesus está entre as negações de Pedro. Há um contraste de atitudes. Antes Pedro usara a violência e Jesus se entregara livremente. Agora Jesus corajosamente dá testemunho diante das autoridades, sem nada negar de sua atividade anterior; Pedro, ao contrário, nega covardemente sua condição de discípulo e seu passado de adesão a Jesus. Jesus terminou o tempo da sua atividade terrestre. Agora seu testemunho deve ser continuado pelos seus seguidores.
Os representantes do poder religioso e do poder político se encontram para resolver o caso Jesus de Nazaré. É a véspera da Páscoa, a festa da libertação, transformada agora em mero rito. As autoridades dos judeus já decidiram a morte de Jesus: querem apenas a aprovação de Pilatos.
Jesus confirma que é rei. Sua realeza, porém, não é semelhante à dos poderosos deste mundo. Estes exploram e oprimem o povo, enganando-o com um sistema de ideias, para esconder sua ação. É o mundo da mentira. Jesus, ao contrário, é o Rei que dá a vida, trazendo aos homens o conhecimento do verdadeiro Deus e do verdadeiro homem. Seu reino é o reino da verdade, onde a exploração dá lugar à partilha, e a opressão dá lugar à fraternidade.
O bandido Barrabás é símbolo da violência que busca o poder, que perpetua o modo de ser dos reinos deste mundo. As autoridades preferem Barrabás, porque a pessoa de Jesus põe em risco os reinos deste mundo.
Hebreus 4,14-16; 5,7-9 – Jesus, Sumo Sacerdote digno de fé em relação a Deus e misericordioso em relação às pessoas.  Os cristãos não devem temer a Jesus, mas aproximar-se dele confiantes, certos de sua acolhida misericordiosa. A figura do sumo sacerdote se realiza plenamente em Jesus, de modo superior ao sacerdócio de Aarão e de qualquer liturgia terrena. Cristo atravessou o céu (4,14) e, ressuscitado, vive para sempre aquela «justa compaixão» que testemunhou aos homens no momento da Paixão. Como Filho, e do mesmo modo que o misterioso Melquisedec, Jesus se empenha para sempre, com toda a sua pessoa, na súplica e no sacrifício. A Paixão é vista aqui como a mais solene prece de intercessão e o mais sublime ato de obediência.

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