Terceiro Domingo da Quaresma

Uma religião voltada para a vida e a liberdade

Reunir-se para celebrar é expressar comunitariamente a própria fé e religião. Todavia, a religião, do modo como nos é apresentada nas leituras deste domingo, só pode ser verdadeira se estiver voltada para a vida e a liberdade de cada uma e de todas as pessoas.

As leituras de hoje nos dizem que a solidariedade para com os excluídos passa por leis justas que preservem e promovam a vida, sobretudo a dos que estão sendo privados da dignidade, e passa também através de uma religião que abandone, de uma vez por todas, a exploração das pessoas, mesmo que os exploradores da religião estejam invocando em sua defesa o próprio Deus.

Êxodo 20,1-17: Promulgação dos dez mandamentos – Ano após ano, Israel celebra o acontecimento do Sinal: a Aliança e o Decálogo. Deus libertou Israel do Egito, tornou-o seu povo pela Aliança e orientou seus passos pela lei. Na sua forma atual, os Dez Mandamentos estabelecem a fidelidade a Javé como fundamento de todo o etos do povo. Os mandamentos estabelecem éticos são balizas, posicionamentos em casos extremos; mas se pode fazer muito mais bem e evitar muito mais mal do que a Lei expressamente diz.

João 2,13-25: Purificação do Templo e anúncio da ressurreição – Para João, Jesus, purificando o templo, o substitui por sua própria pessoa, como aparece no diálogo que segue, onde Jesus fala de reconstruir o templo: o de seu corpo. Pois é em Jesus que contemplamos a glória do Pai (Jo 1,14) e o adoramos em espírito e verdade.

1Cor 1,22-25 : A cruz de Cristo, loucura para o mundo, sabedoria de Deus – A revelação cristã não é uma teoria bem inventada, mas uma práxis eloqüente: na cruz de Cristo, a vontade salvífica de Deus se tornou gesto concreto. A busca de sinais legitimadores (judeus) ou raciocínios explicativos gregos) não serve para compreender a cruz. Ela é um paradoxo. Deus é tão grande, que pode realizar sua obra na mais profunda aniquilação: nada de humano a sustenta de modo decisivo. Nosso caminho não vai do compreender ao crer, mas devemos crer para depois, de modo bem mais profundo, compreender o mistério de Deus na história dos homens.

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