Trigésimo Domingo do Tempo Comum

Família de Deus e Discípulos do Mestre

A comunidade cristã se reúne para celebrar a vida e a fé em Cristo, único mediador entre Deus e as pessoas (II leituras). Celebrar a eucaristia é fazer memória do sacerdócio de Cristo, que, mediante o sofrimento e a morte, trouxe o perdão e a salvação a todos. Da celebração fazem parte todos os que têm fé. Deus, porém, privilegia os cegos, aleijados e indefesos como seus filhos primogênitos, organizando-os, reunindo-os e reconduzindo-os à vida (I leitura). Celebrar a eucaristia, pois, é professar a própria fé, abrir os olhos, romper com a sociedade que marginaliza, para seguir Jesus, formando com ele uma só coisa, construindo com ele a sociedade justa e fraterna (evangelho).

Jesus faz ver quem procura ver

Jeremias 31,7-9: Restauração da vista dos cegos, no tempo messiânico – Profecia de salvação para Israel e Samaria, deportados em 721 aC. Interpretada, mais tarde, como válida também para Judá, em exílio desde 586 aC (Jr 3,18). Deus reunirá as tribos dispersas e as consolará. A cura de cegos e coxos é uma imagem preferida para descrever o tempo messiânico: uma cidade onde não mais houver cegos e coxos mendigando é uma verdadeira utopia (Is 35). O povo responde à comiseração de deus cantando: “Javé nos salva” (31,7c; Mc 11,9).

Marcos 10,46-52: Fé do cego e comiseração do “filho de Davi” – Último milagre de Jesus em Mc, fim de sua caminhada a Jerusalém.Os discípulos continuam cegos (a sequência significativa de 8,14-21 e 8,22-26). Mesmo na hora da cruz, um pagão deverá proclamar a profissão de fé em Jesus, Filho de Deus (15,39). O cego de Jericó faz contraste com os discípulos, com a multidão, o querem afastar de Jesus (10,46). Ele, que se sabe cego, invoca o “Filho de Davi” (Messias 2Sm 7,1216), vê e segue Jesus, tornando-se verdadeiro discípulo. –Mt 20,20-34; Lc 18,35-43.

Hebreus 5,1-6; Jesus, Sacerdote escolhido entre os homens – A partir do capítulo 5, Hb explicita a ideia de Cristo Suma Sacerdote, expressa programaticamente em 4,14-16 (dom.passado). Como mediador (ponti-fice) entre Deus e o homem, o Sumo Sacerdote do AT devia: 1) comiserar-se do homem fraco (5,1-2); 2) ser eleito por Deus (5,4). Jesus dá pleno e transcendente cumprimento a estas exigências. Sua vocação por Deus é ilustrada por duas citações dos Salmos (Sl2 e 110), entendidos no sentido messiânico, cumprindo-se em Jesus Cristo, Filho de Davi, o salmista. Lc 18,35-43 -10,48. Mc 11,9-10.

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