Trigésimo Domingo do Tempo Comum

A misericórdia de Deus é que justifica o homem pecador

No ano que já chega ao fim, pudemos perceber que muitos brasileiros convocam o nome de Deus, vão à missa, professam-se cristãos, criam uma relação ao sabor de seus interesses para acobertar os desmandos que cometem e as vidas eliminam, impunemente. No fundo, nada fazem senão repetir a velha tática de querer manipular a Deus, considerando-se piedosos e homens de igreja, tentando ganhar simpatias e cargos para continuarem explorando e matando.

Ritos e funções religiosas não convencem a Deus. O termo “religioso” ou “católico” pode encobrir ambiguidades contradições. Não cabe a nós julgar. Mas a palavra de Deus hoje insiste em afirmar que Deus detesta ofertas, ritos, orações e celebrações que procuram “comprar” Deus, pois só  ele, e não nossas ações, pode justificar. E ele justifica quem reconhece seu nada e miséria, descobrindo que o amor e a justificação são gestos da gratuidade de Deus.

Eclesiástico 35,12-14.16-18 – Deus não faz distinção de pessoas. A suprema audácia dos mantenedores de uma estrutura social injusta está em tentar corromper Deus, procurando colocá-lo do lado deles. O grito do pobre denuncia a injustiça e obriga Deus a tomar o partido dele, restabelecendo a justiça. Insistência e perseverança só existem naqueles que estão insatisfeitos com a situação presente e, por isso, não desanimam; do contrário, jamais conseguiriam alguma coisa. Deus atende àqueles que, através da oração, testemunham o desejo e a esperança de que se faça justiça.

Lucas 18, 9-14 – Deus ama o pecador arrependido e o perdoa. Não basta ser perseverante e insistente. É preciso reconhecer e confessar a própria pequenez, recorrendo à misericórdia de Deus. De nada adianta o homem justificar a si mesmo, pois a justificação é dom de Deus.

2 Timóteo 4,6-8.16-18- O cristão diante da morte.  Nos últimos tempos, isto é, entre a ressurreição e a segunda vinda de Cristo, multiplicam-se os mestres e doutrinas que adulteram a fé. Alguns desprezam tudo o que se refere ao corpo, condenando o matrimônio, proibindo alimentos e pregando exageradas práticas ascéticas. O cristão, porém, sabe acolher tudo o que Deus criou e se apega somente a Deus e ao cumprimento de sua vontade. Aquele que tem cargo de direção na comunidade cuide para se tornar modelo, tanto no comportamento como na ação, perseverando na graça que recebeu pela imposição das mãos (cf. 2Tm 1,6).

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