Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum

Deus não abandona o seu povo

Os cristãos se reúnem para celebrar a fé e a caminhada rumo à liberdade e vida, tendo D se entregues como líder e autor da vida em plenitude para todos. Ele não nos rejeita por sermos pecadores. Ao contrário, procura-nos incansavelmente para conosco celebrar o banquete festivo da fraternidade. A eucaristia é a celebração do amor de Deus em nossa vida: “Esse homem acolhe pecadores e come com eles”. Mais ainda: Jesus nos acolhe em sua casa e se entrega a nós.

Contudo, a Eucaristia não cessa de apontar as idolatrias e farisaísmo dos cristãos: o fato de comungarmos o corpo do Senhor não nos coloca acima dos outros. Se nos consideramos melhores, certamente Jesus armará sua tenda fora de nossas igrejas e comunidades. Nós não somos os noventa e nove justos que não precisam de conversão. Somos a ovelha extraviada e a moeda perdida. E talvez sejamos também o “filho mais velho”que ainda não compreendeu o amor preferencial do Pai pelos marginalizados e pecadores.

Seguindo a orientação de Paulo, professamos a fé em Cristo Jesus, que veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais nós somos os primeiros.

Êxodo 32,7-11.13-14 Deus não abandona o seu povo. A história de Israel é uma longa série de benefícios que Javé fez por esse povo. De um grupo marginalizado entre as nações, Javé formou o seu povo próprio, libertando-o da escravidão («terra deserta») e levando-o para a terra da vida («terra fértil»). Israel deve sua história a Javé, e não aos ídolos (v. 12).

Lucas 15,1-32 – Deus procura incansavelmente os pecadores marginalizados. O capítulo 15 de Lucas é o coração de todo o Evangelho (= Boa Notícia). Aí vemos que o amor do Pai é o fundamento da atitude de Jesus diante dos homens. Respondendo à crítica daqueles que se consideram justos, cheios de méritos, e se escandalizam da solidariedade para com os pecadores, Jesus narra três parábolas. A primeira e a segunda mostram a atitude de Deus em Jesus, questionando a hipocrisia dos homens. A terceira tem dois aspectos: o processo de conversão do pecador e o problema do «justo» que resiste ao amor do Pai.A parábola não quer dizer que Deus prefere o pecador ao justo, ou que os justos sejam hipócritas. Ela ressalta o mistério do amor do Pai que se alegra em acolher o pecador arrependido ao lado do justo que persevera. A mulher é pobre e precisa da moeda para sobreviver. O amor de Deus torna-o vitalmente necessitado de encontrar a pessoa perdida, para levá-la à alegria da comunhão no amor.O processo de conversão começa com a tomada de consciência: o filho mais novo sente-se perdido econômica e moralmente. A acolhida do pai e as medidas tomadas mostram não só o perdão, mas também o restabelecimento da dignidade de filho. O filho mais velho é justo e perseverante, mas é incapaz de aceitar a volta do irmão e o amor do pai que o acolheu. Recusa-se a participar da alegria. Com esta parábola, Jesus faz apelo supremo para que os doutores da Lei e os fariseus aceitem partilhar da alegria de Deus pela volta dos pecadores à dignidade da vida.

1 Timóteo 1,12-17 – Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores. Em meio à confusão de idéias e interpretações, é importante voltar sempre ao sentido profundo e primeiro do Evangelho: Deus enviou Jesus ao mundo, não para condenar, mas para salvar os homens. A salvação, portanto, é ato de graça e se confirma como graça abundante porque é oferecida gratuitamente aos pecadores, isto é, a todos aqueles que jamais poderiam merecê-la. Paulo é exemplo vivo do Evangelho da graça. O povo de Deus não é formado por pessoas que nunca erraram, mas por pecadores que se convertem e são salvos por pura graça.

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