Vigésimo terceiro domingo do tempo comum

Exigências do ser cristão

Há pessoas que se declaram cristãs por hábito ou conveniência, sem assumir as exigências do ser cristão. Com um verniz de religiosidade, tornam-se participantes ou patrocinadoras de uma sociedade desigual e injusta. Essa realidade pode ser transformada, desde que as pessoas adquiram a Sabedoria que vem de Deus e ajudem a iluminar os rumos da sociedade (I leitura). Ser cristão implica o estabelecimento de prioridades, amadurecendo-as e executando-as coerentemente (evangelho). Numa sociedade marcada por diferenças sociais, onde Uns dominam e outros são dominados, o Evangelho surge como a força libertadora, onde todos colaboram e servem ao bem de todos (II leitura).

Sabedoria 9, 13-18 – Viver as exigências da fé numa terra estranha. O pessimismo ao considerar as relações é talvez reflexo da incerteza sofrida por um povo que se vê invadido por culturas e costumes estrangeiros. Na antiguidade, esperava-se que a autoridade política fosse uma espécie de grande pai, provedor paternal de todas as necessidades do povo. Hoje, percebe-se que o governante é expressão da vontade daqueles que o escolheram. Assim, a autoridade exprime a consciência política existente numa determinada nação em luta. Governo justo seria aquele que procura interpretar as necessidades do bem comum e realizar a justiça para todos.

Lucas 14, 25-33 – Exigências do ser cristão.  O Reino de Deus é apresentado como banquete em que Deus reúne os seus convidados. Ainda que os representantes oficiais e os habituados à religião recusem o convite, dando mais importância aos seus próprios afazeres, o Reino permanece aberto para aqueles que comumente são julgados como excluídos: os marginalizados da sociedade e da religião. Seguir a Jesus e continuar o seu projeto (= ser discípulo) é viver um clima novo na relação com as pessoas, com as coisas materiais e consigo mesmo. Trata-se de assumir com liberdade e fidelidade a condição humana, sem superficialismo, conveniência ou romantismo. O discípulo de Jesus deve ser realista, a fim de evitar ilusões e covardias vergonhosas.

Filemon 9b-10.12-17 – O ser cristão elimina as desigualdades sociais.  Paulo considera Onésimo como filho, porque foi graças a ele que Onésimo se converteu. O nome Onésimo significa «útil». Pedindo que Filemon trate Onésimo como irmão, Paulo mostra que o Evangelho põe fim às diferenças entre os homens e esvazia completamente o estatuto da escravidão. Paulo assume inteira responsabilidade, propondo-se a pagar pessoalmente o dano causado pela fuga de Onésimo. Mas lembra também que Filemon foi convertido por Paulo, a quem deve, por isso, a própria vida. Desse modo, o Apóstolo mostra que há valores muito mais importantes do que qualquer dívida material.

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