Decimo Oitavo Domingo do Tempo Comum

O banquete da vida

A liturgia deste domingo apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.

Deus destinou os bens da criação para todos. Mas uns poucos se apoderaram deles, conservando os demais sob férrea dependência, incapazes até de ter acesso aos bens básicos da vida. O banquete da vida se tornou privilégio de poucos, que vivem às custas do sangue dos pobres explorados.

Deus subverte essa situação, convidando os pobres explorados a sair da dependência e a saborear o banquete da vida, na liberdade e fraternidade, onde o comércio é substituído pela partilha dos bens da criação. Dessa forma inicia o novo êxodo do povo de Deus em direção ao mundo novo. Jesus deu a esse mundo novo a sua forma definitiva, convidando as pessoas a luta para que ele se concretize no meio de nós.

Isaias 55,1-3 – Venham ao banquete da vida

Nessa leitura, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.

Numa sociedade dominada pelo ídolo dinheiro, o povo gasta tudo o que tem e acaba na sede e fome. O profeta o convida a uma nova aliança com Deus que coloca a vida humana como supremo valor, transformando todas as relações sociais e assegurando a todos alimento e dignidade. A realização desse projeto atrairá os povos, porque verão que esse é o verdadeiro projeto para a vida.

Oração:

Nós Te damos graças por todas as refeições que ofereceste ao teu Povo, para saciar a sua fome e para anunciar o banquete da Nova Aliança. Nós Te pedimos por todos os famintos da nossa terra e por todas as formas de pobreza: os mendigos de pão, de atenção, de ternura, de justiça e de paz. Dá-nos a coragem de lhes deixar mais do que as migalhas.

Mateus 14, 13-21 : O banquete da vida

O nesse  Evangelho apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.

Mateus salienta o comportamento de Jesus: ele não é fanático, querendo enfrentar imediatamente Herodes; mas também não é fatalista, deixando as coisas correr como estão. Ele continua fiel à missão de servir ao seu povo. Reúne e alimenta as multidões sofredoras, realizando os sinais de um novo modo de vida e de anúncio do Reino. A Eucaristia é o sacramento-memória dessa presença de Jesus, lembrando continuamente qual é a missão a que nós, cristãos, fomos chamados.

Oração:

Erguemos os olhos para Ti e damos-Te graças pela infinita ternura do teu Filho Jesus. Nós Te bendizemos pelo pão de vida que nos ofereces. Nós Te pedimos pelos teus discípulos, encarregados de distribuir o pão produzido pelos nossos pobres meios; que a bênção cumule as nossas refeições com a graça do teu Espírito Santo.

Romanos  8,35.37-39: Filhos no Filho, destinados à glória

A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

Com o amor de Deus, manifestado em seu Filho, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem perseguições, nem martírio, nem qualquer forma de dominação. Nada poderá desfazer o que Deus já realizou. Nada poderá impedir o testemunho dos cristãos. E nada poderá opor-se à plena realização do projeto de Deus.

Oração:

Pai Nosso, nós Te bendizemos pelo amor de Cristo, que manifestaste nas missões do apóstolo Paulo e do qual nada nos pode separar: Tu comunicas o amor de Cristo em cada Eucaristia, ao ponto de nos unires a Ti. Nós Te pedimos por todos os nossos irmãos e irmãs desencorajados, ameaçados pelo desânimo, a angústia, a perseguição, a fome, os perigos.

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